Biónica

A ideia do nome deste blogue resultou de um filme de animação que mostra a Terra como um organismo vivo em constante transformação.Que futuro estamos a construir? Dependemos tanto da tecnologia,nomeadamente dos computadores, que estes mais parecem um apêndice que se desenvolveu nos nossos braços.Será isto adaptação ou evolução?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ainda sobre a Biodiversidade

Apesar da utilização generalizada do conceito de biodiversidade, ainda não foi possível operacionalizar nenhuma das múltiplas definições, com vista a possíveis aplicações em planeamento, ordenamento do território e conservação.

Um dos problemas associados aos processos de avaliação da biodiversidade é o facto de o termo ser entendido de forma diversa consoante o grupo profissional ou social que o interpreta.

Em Ecologia das Comunidades o conceito de diversidade tem sido associado a riqueza e equitabilidade. A riqueza específica (a escolha dos diferentes índices de diversidade varia consoante o peso que se pretende conferir a espécies raras e comuns). Riqueza e equitabilidade representam dois extremos do mesmo conceito dando a primeira medida mais peso relativo às espécies raras e a segunda maior ponderação às espécies comuns.

Em termos evolutivos, a diversidade biológica pode ser explicada com a hipótese diversidade-estabilidade (MacArthur, 1955), segundo a qual se postula que os ecossistemas são tanto mais estáveis, quanto maior a diversidade no sistema.

Para Pimm (1984) o conceito geral de estabilidade incorpora quatro variáveis diferenciadas: estabilidade; resiliência; persistência; e resistência.

Uma das ideias mais generalizadas é de que a simplificação dos ecossistemas, no que respeita a sua composição em espécies (redução da diversidade), induz a uma redução da estabilidade e aumenta a susceptibilidade a invasões biológicas.

Observações no sentido inverso descartaram, porém, a universalidade da hipótese diversidade-estabilidade.

Simultaneamente têm sido sugeridas hipóteses alternativas destacando-se a hipótese da redundância (Walker, 1992), que sugere que as espécies se agrupam em unidades funcionalmente equivalentes. Segundo esta perspectiva o funcionamento dos ecossistemas não é afectado pela remoção de elementos redundantes mas sim pela afectação de “key-stones”, i.e., espécies com papel preponderante no funcionamento dos ecossistemas.

Estudos recentes têm procurado compreender as relações que se estabelecem entre diversidade, entendida como a organização das espécies num espaço multidimensional, e o funcionamento dos ecossistemas. Cousins (1991) sugere a utilização de índices de diversidade por grupos funcionais
equivalentes (p.e., grupos tróficos ou “guilds”). Recentemente têm sido desenvolvidos estudos que procuram detectar, através de análises empíricas, eventuais padrões de regularidade entre categorias de ameaça entre espécies e grupos funcionais equivalentes.
Uma abordagem realizada com aves de meio agrícola, na Zona Agrária de Aljustrel (Carvalho, 1997), demonstra que concentrações de aves ameaçadas ocorrem em“guilds” semelhantes.
Extraido de: Araujo Miguel, Avaliação da biodiversidade em conservação

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