Numa sociedade governada pelos valores de mercado, das mais-valias económicas e do consumo, para que uma política do Ambiente possa ter sucesso, tem vindo a ser demonstrado ser indispensável quantificar em termos económicos o valor da biodiversidade.
Há que pensar que o impacto da sobrevivência e preservação das espécies, pode resultar da actividade humana, quer directamente como no caso da Baleia nos Açores e um pouco na Madeira ou do lobo da Malcata, quer indirectamente como no caso da lampreia no rio Douro e seus afluentes devido à construção de barragens.
Acresce ainda a evolução do paradigma associado à forma como esta problemática está a ser equacionada. Está a passar-se de uma visão antropocêntrica do Homem (o homem teria poderes excepcionais que lhe permitiriam subjugar uma natureza imbuída de recursos inesgotáveis e instrumentalizar estes recursos para os seus fins de progresso e desenvolvimento económico, político e tecnológico) para uma visão Ecológica que resultou de graves acidentes ambientais tais como as grandes marés negras da década de 1960, da ulterior crise petrolífera dos anos 73/74 ou ainda da catástrofe de Chernobyl que, conduziram à fragilização das crenças dominantes na capacidade ilimitada da natureza como fonte de recursos e na “natural” subjugação desta ao poderio tecnológico do homem.
Surge assim o conceito de desenvolvimento sustentável que insere em si mesmo uma nova ética na relação homem/natureza com o objectivo de contribuir para, a um só tempo, integrar as necessidades de viabilidade económica, proteger a integridade dos sistemas biofísicos e promover as condições de vida das populações.
A OCDE (2001) reconhece a importância de medir o valor económico da biodiversidade e identifica um vasto leque de utilizações para esses valores, inclusive demonstrando o valor da biodiversidade, visando a protecção da biodiversidade dentro de orçamentos escassos, e na determinação de danos por perda de biodiversidade.
Uma complicação relacionada com a biodiversidade em si é a sua quantificação, é que não é definida exclusivamente como conservação de diversidade biológica pelos biólogos. Os cientistas estão de acordo generalizado de que o número de espécies por unidade de área é um ponto de partida útil (Harper e Hawksworth, 1995; Whittaker, 1977). Os Ecologistas reconhecem que algumas espécies, tais como as espécies-chave, podem ser mais importantes e / ou dar uma maior contribuição para a biodiversidade do que outros (Wilson et al., 2003; Noss, 1990). Reconhecem também que a biodiversidade pode ser descrita e medida em termos de diversidade das espécies dentro de uma comunidade ou do habitat (Arts et al., 1990) e em termos da diversidade de funções ecológicas (Steneck e Dethier, 1994; Herrera et al., 1997).
Têm aparecido assim estudos que incluem uma valorização de biodiversidade em três aspectos (regime agro-ambiental, habitat e protecção de perda de biodiversidade associada ao desenvolvimento habitacional.Os parâmetros medidos são: espécies conhecidos da fauna silvestre, espécies raras de fauna desconhecidos, habitats e ecossistemas.
Outra abordagem, consiste em associar o valor de biodiversidade com a importância de proteger áreas naturais que possuem elevados níveis de recreação ao ar livre ou actividade turística.
Outros estudos têm quantificado o papel do funcionamentos e serviços prestados pelos ecossistemas na manutenção e preservação dos mesmos (assimilação de resíduos, no controlo das cheias, a prevenção da erosão do solo e do vento, manutenção e qualidade da água (Fromm, 2000).
Os estudos que têm quantificado a diversidade genética têm predominantemente medido o uso directo dos benefícios dos recursos biológicos para a produção novos produtos de mercado, quer farmacêuticos como agrícolas.
Em termos económicos tem-se vindo a constatar que, embora muitos indivíduos possam beneficiar das acções e actividades que levam à perda da biodiversidade, os ecossistemas mudam, os custos suportados pela sociedade de tais mudanças são muitas vezes superiores. Mesmo nos casos em que o nosso conhecimento dos benefícios e custos é incompleta, a utilização da abordagem de precaução pode ser justificado quando os custos associados a alterações nos ecossistemas podem levar a mudanças irreversíveis. Um país poderia cortar as suas florestas e isso mostraria apenas um ganho positivo no PIB, apesar da perda do bem de investimento. Quando o declínio nestes "capital natural" é tomada em consideração nas medidas da riqueza nacional, a previsão é de perda significativa da riqueza para os países com economias que estão particularmente dependentes dos recursos naturais.
A população em geral está cada vez mais atenta a esta problemática e está disposta a contribuir financeiramente para a sua resolução. Mas a quantificação e valorização da biodiversidade não é um bem que possa ser comercializado directamente num mercado funcionando a longo prazo, tornando difícil a sua implementação e transformação em acções reais.
Há que pensar que o impacto da sobrevivência e preservação das espécies, pode resultar da actividade humana, quer directamente como no caso da Baleia nos Açores e um pouco na Madeira ou do lobo da Malcata, quer indirectamente como no caso da lampreia no rio Douro e seus afluentes devido à construção de barragens.
Acresce ainda a evolução do paradigma associado à forma como esta problemática está a ser equacionada. Está a passar-se de uma visão antropocêntrica do Homem (o homem teria poderes excepcionais que lhe permitiriam subjugar uma natureza imbuída de recursos inesgotáveis e instrumentalizar estes recursos para os seus fins de progresso e desenvolvimento económico, político e tecnológico) para uma visão Ecológica que resultou de graves acidentes ambientais tais como as grandes marés negras da década de 1960, da ulterior crise petrolífera dos anos 73/74 ou ainda da catástrofe de Chernobyl que, conduziram à fragilização das crenças dominantes na capacidade ilimitada da natureza como fonte de recursos e na “natural” subjugação desta ao poderio tecnológico do homem.
Surge assim o conceito de desenvolvimento sustentável que insere em si mesmo uma nova ética na relação homem/natureza com o objectivo de contribuir para, a um só tempo, integrar as necessidades de viabilidade económica, proteger a integridade dos sistemas biofísicos e promover as condições de vida das populações.
A OCDE (2001) reconhece a importância de medir o valor económico da biodiversidade e identifica um vasto leque de utilizações para esses valores, inclusive demonstrando o valor da biodiversidade, visando a protecção da biodiversidade dentro de orçamentos escassos, e na determinação de danos por perda de biodiversidade.
Uma complicação relacionada com a biodiversidade em si é a sua quantificação, é que não é definida exclusivamente como conservação de diversidade biológica pelos biólogos. Os cientistas estão de acordo generalizado de que o número de espécies por unidade de área é um ponto de partida útil (Harper e Hawksworth, 1995; Whittaker, 1977). Os Ecologistas reconhecem que algumas espécies, tais como as espécies-chave, podem ser mais importantes e / ou dar uma maior contribuição para a biodiversidade do que outros (Wilson et al., 2003; Noss, 1990). Reconhecem também que a biodiversidade pode ser descrita e medida em termos de diversidade das espécies dentro de uma comunidade ou do habitat (Arts et al., 1990) e em termos da diversidade de funções ecológicas (Steneck e Dethier, 1994; Herrera et al., 1997).
Têm aparecido assim estudos que incluem uma valorização de biodiversidade em três aspectos (regime agro-ambiental, habitat e protecção de perda de biodiversidade associada ao desenvolvimento habitacional.Os parâmetros medidos são: espécies conhecidos da fauna silvestre, espécies raras de fauna desconhecidos, habitats e ecossistemas.
Outra abordagem, consiste em associar o valor de biodiversidade com a importância de proteger áreas naturais que possuem elevados níveis de recreação ao ar livre ou actividade turística.
Outros estudos têm quantificado o papel do funcionamentos e serviços prestados pelos ecossistemas na manutenção e preservação dos mesmos (assimilação de resíduos, no controlo das cheias, a prevenção da erosão do solo e do vento, manutenção e qualidade da água (Fromm, 2000).
Os estudos que têm quantificado a diversidade genética têm predominantemente medido o uso directo dos benefícios dos recursos biológicos para a produção novos produtos de mercado, quer farmacêuticos como agrícolas.
Em termos económicos tem-se vindo a constatar que, embora muitos indivíduos possam beneficiar das acções e actividades que levam à perda da biodiversidade, os ecossistemas mudam, os custos suportados pela sociedade de tais mudanças são muitas vezes superiores. Mesmo nos casos em que o nosso conhecimento dos benefícios e custos é incompleta, a utilização da abordagem de precaução pode ser justificado quando os custos associados a alterações nos ecossistemas podem levar a mudanças irreversíveis. Um país poderia cortar as suas florestas e isso mostraria apenas um ganho positivo no PIB, apesar da perda do bem de investimento. Quando o declínio nestes "capital natural" é tomada em consideração nas medidas da riqueza nacional, a previsão é de perda significativa da riqueza para os países com economias que estão particularmente dependentes dos recursos naturais.
A população em geral está cada vez mais atenta a esta problemática e está disposta a contribuir financeiramente para a sua resolução. Mas a quantificação e valorização da biodiversidade não é um bem que possa ser comercializado directamente num mercado funcionando a longo prazo, tornando difícil a sua implementação e transformação em acções reais.
Fonte:Christie et all
1 comentário:
Boa explanação; julgo que se pode dizer que existem múltiplos mercados para a biodiversidade, tantos quanto as fileiras de recursos e produtos que dela procuramos extrair; o cerne do problema poderá passar pela inexistência de um mercado de bens imateriais e de opções futuras, características dos ecossistemas que nós os consumidores ainda não interiorizamos; com a construção de uma consciência ecológica baseada mais na responsabilidade individual sobre a degradação ambiental do que na noção de risco e desastre eminente avaliaremos adequadamente os termos do negócio...João Martins ( www.gritopelaterra.blogspot.com)
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